quinta-feira, 26 de março de 2009

Um dia antes



Eu não sei. Se roxo vai bem com preto. Se bolsa amarela tudo bem. Se sapato de boneca pode ser uma opção. Se saio com essa ou aquela amiga. Se fico em casa chorando pelos cantos ou fico chorando fora de casa pelos cantos. Se ele me ama ou odeia. Se tá cedo ou não. Eu só tenho certeza de uma coisa: eu vou morrer. Só pode ser a morte chegando. Essa pancinha inchada que forma no meu intestino. Essa enxaqueca. Os seios doem até quando é alguém menos afetado ou caloroso que me abraça. A nuca dói pesando os ombros. A lombar dói. Aquela veia perto do meu olho direito dói (e pula, fazendo meu olho esquerdo piscar involuntariamente). Meu rim esquerdo dói. E isso não é nada perto da dor na alma. A alma fica num chororô só, sussurrando na minha mente que sou um pouco feia, desajeitada, irresponsável e que essa bolsa amarela com o sapato de boneca foi o erro do ano. Tenho certeza que vou morrer. Se não dá loucura que se encontra a minha mente, certamente do resto todo do corpo que lateja. Pior: o resto todo da humanidade vai morrer. Todos nós vamos morrer! E quando vou ver, lá to eu abraçando algum amigo, parente, porteiro do prédio ou até mesmo minha cachorra, e chorando que nem boba. Mentindo que é rinite. Mas é uma despedida mesmo. Logo cedo tomo banho e acho minha vida completamente errada. Tá tudo errado! E choro. Me acabo. E o velhinho que vende cofrinho de sapo aqui na esquina de casa? Nossa. Isso acaba comigo. Não sei, mas os cofrinhos de sapo me dão uma tristeza! Ai que música bonita essa que está tocando no rádio. Putz. Como é difícil ser mulher. Você sabe que precisa chegar inteira pra reunião, mas aquela música acabou com você. Você chorou da Sumaré até a Berrini e nem sabe o motivo. Desidratou pelos olhos e não consegue levantar um único motivo real. Ao mesmo tempo, poderia fazer agora uma lista gigantesca de motivos sinceros. Mas que ficou fashion entrar no escritório de óculos escuros, ficou. Será que ficou? Mas esses óculos escuros combinam com a bolsa amarela e o sapato de boneca? Não sei, só sei que vou morrer. Eu e todo mundo da sala de reunião. Aí você sai pra almoçar e não consegue escolher entre o molho ao pesto e o com nozes. Escolher é algo quase impossível nesses dias em que você só tem certeza que vai morrer. Mas se existisse a opção “nutella” para molhos, tudo estaria resolvido. É amiga, por alguma razão tão misteriosa quanto a veia que pula fazendo seu olho esquerdo piscar, você adoraria, hoje, morrer comendo uma lasanha de chocolate com nutella. Prato que contribuiria substancialmente para a sua morte. Aí quando vai dando seis da tarde, os homens começam a ficar ansiosos porque o dia está terminando. E dá vontade de ir na mesa deles e falar “ah, você está ansioso porque são seis da tarde? E eu que to ansiosa vinte e quatro horas do meu dia porque todos os horários são seis da tarde? Quer trocar, seu idiota? Aliás, quer morrer no meu lugar, seu idiota?”. Mas cinco segundos depois desse rompante, eu só quero abraçar o cara e chorar. Ou perguntar se ele tem uma nutella na gaveta. Ou se ele acha que bolsa amarela e sapato de boneca combinam. Ou mesmo ganhar um daqueles abraços que machucam o seio. No dia seguinte, você morre. Finalmente. Ou melhor: a sua mulherzinha morre. Você toma um banho prático. Achando a vida prática. Você tá mais viva do que nunca e o resto do mundo idem. Coisa besta esses cofres de sapo. Você chega na reunião tão poderosa que a concorrência se sente esmagada pelo seu sapato de boneca ou fica com vontade de se esconder dentro da sua bolsa amarela. Você não tem problema nenhum. Aliás, tem sim. Um só: tá na hora de trocar o absorvente. Coisa que você faz sem nenhum drama.
[Tati Bernardi]




P.s.: É exatamente assim que me sinto, com tanta tpm que não consigo nem escrever minhas próprias palavras.

terça-feira, 24 de março de 2009



Mãe Querida

Ainda sinto o perfume da fronha acalentando o medo da noite eterna e com teus olhos me velando, entregava-me ao sono profundo; Ainda escuto tua voz na sala, quando deitado, ficava esperando o monstro da noite chegar flutuando no escuro do quarto de dormir;
Ainda sinto os delírios da febre na pele, suando na cama,tendo tua presença na doce mão tocando minha testa,fazendo-me crer que na manhã seguinte ouviria os cantos dos pássaros num cantar de mulher;Ainda vejo os brinquedos no chão, onde criança eu construía os mundos, habitados por duendes e monstros e protegidos por um olhar atento de uma mulher; Ainda sinto o cheiro da janta a penetrar no quarto de dormir como plasma de uma física ainda não vista, misturado ao doce perfume de uma mulher; Ainda escuto minhas palavras duras de criança, como quem não enxerga o mundo cruel além do quarto de dormir, palavras que se tornavam doces no ouvido atento de uma mulher;Ainda sinto o medo, quando numa noite, perdido no jardim da fazenda,olhando os vaga-lumes como olhos brilhantes de monstros noturnos, gritei desesperadamente por um nome de mulher; Ainda sinto a vontade de crescer, de me tornar livre e independente, de voar até onde as asas dos sonhos possam levar e me ver caindo num vácuo profundo nos braços de uma mulher; Ainda me revejo criança,nos anos efêmeros da infância, onde a vida vivida era os sonhos sonhados no doce desejo de uma mulher; E quando Francisca me trouxe o despertar dos sentimentos, eu ainda criança, sentindo-me rubro ao despertar de algo ainda desconhecido, sentido-me eternamente perdido, tive consolo num sorriso de mulher; E quem é essa mulher que até hoje relembro? Uma mulher mortal e humana como qualquer uma... Mas o que a torna única é a pureza do seu sentimento em relação a um ser que um dia saiu de suas entranhas, como um Deus que dá a vida. Uma mulher que se torna mãe.




p.s: Tirei esse texto da internet em homenagem a minha mãe , ontem agente dormiu na mesma cama e me lembrei de quando criança , das muitas vezes que senti medo e minha mãe, a dona do sorriso mais lindo, do pulso forte , do amor incomparavél, ia até minha cama e ficava lá comigo até parar o medo...Foi muito bom sentir que as vezes na simplicidade vc pode se sentir segura como quando vc era criança, isso me deixou super feliz!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Quando me amei de verdade...



Quando me amei de verdade
Compreendi que em qualquer circunstância
Eu estava no lugar certo...Na hora certa...No momento exato...
Então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome
AUTO ESTIMA
Quando me amei de verdade
Pude perceber que a minha angústia e sofrimento emocional não passam de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades
Hoje sei que isso é...
AUTENTICIDADE
Quando me amei de verdade
Parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para meu crescimento
Hoje chamo isso de...
AMADURECIMENTO
Quando me amei de verdade
comecei a perceber como é ofensivo forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é...
RESPEITO
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável...
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me colocasse para baixo.
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama...
AMOR PROPRIO
Quando me amei de verdade
Deixei de temer meu tempo livre e de fazer grandes planos abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é...
SIMPLICIDADE
Quando me amei de verdade
Desisti de querer ter sempre razão e com isso errei muito menos vezes.
Hoje descobri a...
HUMILDADE
Quando me amei de verdade
Desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.Isso é...
PLENITUDE
Quando me amei de verdade
Percebi que a minha mente pode me atormentare me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do coração ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é...
SABER VIVER!!!
(Kim e Alison McMillen)

Voltando...


Ufaaa ... 42 dias exatos sem vir aqui nem olhar... Falta de tempo? Não .Preguiça mesmo,falta de vontade de escrever sobre mim , sobre o que penso, sobre o que acontece comigo. Talvez de saco cheio de apenas , só apenas escrever...

Mas to voltando , e mudando a cara desse bloquezinho que eu tanto amo e que faz parte de mim, pois é aqui que eu coloco para fora mais um pouco do meu EU.

E eu vou falar justamente ...

Um pouco mais de mim...



Sou uma pessoa em contínua transformação. Como acredito que todos nós sejamos, uns obeservam , outros apenas vão se transformando sem ao menos se dá conta.A cada dia aprendo coisas novas sobre mim mesma, e muitas vezes, me surpreendo.Sou boa mas não sou santa. Gêntil, mas não tola.Geralmente, sou educada com todo mundo, até com quem não merece a minha boa educação só pra não sair do salto rs... Palavrinhas mágicas como “Por Favor”, “Com Licença” e “Obrigada”, sempre fazem parte do meu vocabulário; mas não pise no meu pé não, por que eu também sei ser grossa; alguns dizem que eu sou bruta, sim sei ser muito bruta , não é pouco não e acho que falar palavrão e chorar quando se tá com raiva é terapêutico.Minha idade não me pertence. Em uns dias, tenho cara de mais nova e cabeça de mais velha. Em outros, cara de mais velha e cabeça de mais nova.Converso para desabafar e para resolver meus problemas. Converso bobagens e tenho papos cabeça. Acredito que tudo possa ser resolvido com uma conversa, das coisas mais banais aos problemas mais complexos. Costumo falar pelos cotovelos , como diz o ditado . Já falei muita coisa que não devia. Fiz muita coisa que não faria. Também já me arrependi de muita coisa que não fiz.Eu adoro livros, teatro, cinema e dançar então nem se fala, AMOo. Sei ser culta mas não me peça pra recitar poesias. Também assisto besteiras e falo abobrinhas.Minha vida tem trilha sonora. Sou apaixonada por músicas, que sempre me lembram alguém ou algum momento. E sou bem eclética. Escuto de Clássica à Funk.Valorizo muito as minhas amizades e fico triste em sentir que o carinho que tenho por alguém não é recíproco. Me dôo demais, me preocupo demais mas não sei mimar ninguém. Procuro ao máximo manter as minhas amizades mas se vejo que essa vontade só parte de mim, eu mando catar coquinho.Eu tenho medo de perder quem eu amo.Eu espero demais das pessoas, e já quebrei muito a cara por criar expectativas no que não devia, hoje se me perguntarem se eu espero alguém me telefonar no dia seguinte , eu digo que to calejada e vacinada.Eu amo a Lua. Lua cheia, de preferência. Amo a praia, o mar, o céu, as estrelas, a chuva e o sol.Eu não gosto de andar descalça, mas às vezes preciso tirar os chinelos e sentir o chão.Eu assisto mil vezes os mesmos filmes e me emociono mil vezes com as mesmas cenas.Eu não gosto de chorar na frente de ninguém, e não gosto de ver ninguém chorar na minha frente.Eu sou preguiçosa e odeio acordar cedo.Sou transparente e não consigo fingir o que não estou sentindo. Quem me conhece de verdade sabe como estou só de olhar pra mim, ou de ouvir a minha voz.Eu não falo “Eu te amo” como quem diz “Bom dia”, mas se amo falo sempre com muito prazer e não me sinto obrigada a amar pessoas só por que elas são da minha família.Eu sou caseira mas também adoro sair .Sair com meus amigos me deixa super-mega-hiper feeeeeliz. A companhia vale, pra mim, muito mais que o lugar. Eu não sou perfeita!Longe disso! A perfeição passa bem longe de mim!Erro. E erro muito!! E continuo achando que é errando que se aprende!Faço muita besteira e muitas vezes me comporto feito criança. Às vezes, não sou adulta o suficiente para encarar os meus problemas. Aí eu apelo pra o que der, pra o que me faça extravasar, chorar, colocar tudo pra fora!Mas eu prefiro assim! Não gosto mais de manter meus problemas dentro de mim! Durante muitos anos, eu os mantive, mas agora, não gosto mais. Tenho que colocar pra fora, e isso me trás alguns contratempos.
Eu sinto com a cabeça e penso com o coração.Sou racional mas quase sempre sou impulsiva. Não conto pessoas como quem conta rebanho. As pessoas têm que ter significado pra mim.Eu não troco amizade por homem. Homens vem e vão. Amigos de verdade vem e permanecem. Eu adiciono as amizades ao homem. O homem certo não me faria ter que escolher.Eu não acredito em contos de fada nem em príncipes encantados. Prefiro príncipes (des) encantados, imperfeitos e humanos. A perfeição me irrita. Acredito que ele virá pra me completar ...Eu sou frente e sou verso. Claridade e Escuridão.Sou uma pessoa em contínua transformação.