quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Das bobagens que talvez eu me arrependa depois....



Talvez eu não deveria estar escrevendo isto, estou meio surtada, meio sarcástica, meio de TPM mesmo. Mas é uma boa desculpa quando se quer falar a verdade, quando se quer falar o que está no intimo. Uma boa desculpa para uma " mulherzinha" falar o que bem entender, para morrer de arrependimento depois...Foi assim que comecei a escrever este texto ontem. Mas agora são exatos 11:54 e eu estou aqui arrumando, relendo, mudando, pensando, o que torna este início ridículo e irrelevante.( talvez seja a fome, já que está quase na hora do almoço rs) Começamos de novo:

Eu sei que a vida não é fácil: se a gente quer um amor e o encontra, a gente depois tem que negociar com a convivência. Se a gente tem muitos amigos, as idiossincrasias. Se o emprego dá grana, às vezes o chefe nos desanima....enfim, nem todo poeta vive de poesia., embora muita gente se alimente dela. Eu hoje acordei tão emocionada porque sei que cada vírgula da nossa rotina tem sentido. E que ter uma rotina é tão saudável. E que ter amigos nos impulsiona, e que viver um grande amor nos embeleza. E que fazer " a nossa parte" melhora o mundo. E que ter bons pensamentos enriquece o Universo.


Eu não devia estar escrevendo isso, mas eu tenho a idiota necessidade de ser verborrágica com coisas que tenho absoluta certeza de que vou me arrepender de escrever. Mas fazer o que se sou masoquista? (além de surtada e egoísta – mas isso o tudo o que eu escrevo mostra).

O cheiro não mudou, o jeito que eu tinha gravado na memória. O modo de pensar, de me olhar não mudou .Mas tantas outras coisas tão diferentes... Você mudou, não mudando. E eu não sei se gosto. Não que eu não goste das suas mudanças, você me parece de forma geral, mais maduro. Quando foi que vc se tornou tão preocupado assim ? Desta eu gosto. E o resto. O resto é que agora eu vejo que mandei tanta gente sair da minha vida que não deveria ter saído e que eu não mandei quem realmente nunca deveria ter entrado.

Eu não sei vocês, mas eu sou completamente a favor do celibato para pessoas que passam na nossa vida. Pelo menos a que gostamos , claro!Tenho um sentimento de posse sobre as pessoas que estão ou passaram na minha vida, que uma vida reclusa e celibatária seria o melhor... Isso é ciúmes mesmo!

O que eu sei é que é um choque quando a gente sempre pensa em uma pessoa, mas na verdade estamos pensando na lembrança dela, no modo que ela era e agia e de repente você simplesmente vê que... Simplesmente vê que... Caramba! Você vê que não fez falta. Pronto!

Ok, orgulho ferido. Tem muito disso claro. Eu sei também que fui eu que não quis, eu que não soube regar, acho que é por isso que minha sábia avó que me conhece tão bem diz que eu não tenho coração, que minhas paixões são avassaladoras até a hora que que quero que seja. Não posso nem abrir a porcaria da minha boca para reclamar... Pq eu gosto de ser assim, mas será que é bom viver assim?Talvez algum dia mude, mas enquanto não chega esse dia eu vou vivendo assim.

Vivi estes anos todos dos minutos que me concedias ao telefone, vivi imaginando encontros, futuro distante. Pode chamar-me de ansiosa e precipitada eu não concordo. Chamarei de disposta e sonhadora. Há algo de que ninguém poderá me acusar na vida, de não ter tentado. Com todas as minhas forças, meu autocontrole, eu não liguei sempre que quis ouvir sua voz, eu não escrevi sempre que quis te dizer o que eu não tinha coragem de falar, eu não te chamei para sair sempre que quis sua companhia.


E mesmo assim me sinto mais dando que recebendo, talvez seja porque as pessoas sempre olham o seu lado mesmo. Jamais te cobraria algo. Porque atenção e carinho ou são gratuitamente concedidos ou não terão qualidade. Com medo de dar a você mais amor do que poderia suportar simplesmente não te amei. Meu autocontrole obteve 100% de êxito ao conseguir estacionar este sentimento em “gosto de você”. Não que em silêncio eu não tenha me perguntado se isso já não teria virado amor faz tempo. Nunca ousei me responder. Deixava o silêncio trazer algo de ti, bom ou ruim, para eu enfim dormir.

Me senti feliz com você. Mesmo que depois daqueles telefonemas, eu apenas pensasse – não vale a pena. Depois de tanto tempo sem te ver, eu começava a me esquecer do teu olhar, do seu sorriso eu simplesmente achei que era hora de desistir. Mas desistir de você representava desistir dos sonhos que te encontrar haviam despertado em mim. Desistir de todo aquele futuro que eu havia imaginado e só você poderia habitar. Não era você na poltrona ao meu lado no cinema, foi por isso que fiquei tristei. Como é que eu fui deixar as coisas chegarem a este ponto?

Eu chorando por quem só me fazia sorrir? E eu me questionei se valeria a pena te esperar. Com medo de apagar o sentimento que tinha eu não desisti. Acreditando que você também sentia algo eu prosseguindo tendo esperanças de um dia construir um amor com você. Porque eu aprendi que os casais mais felizes são aqueles que construíram a vida juntos.

Com base naquele amor maior que conhecemos bem. O amor que não é egoísta, que é longânimo, etc. Porque eu aprendi que acima do amor um casal precisa alimentar o respeito e a confiança, porque só amor não basta. Quantos casais se amam e se separam por falta de confiança, que gera a falta de respeito?

E eu quis te ensinar a amar sem medo. Mas como eu poderia ensinar algo que nunca aprendi? Você me conhece o suficiente para saber que crio possibilidades para tudo. E há também a possibilidade de eu não pensar em possibilidade nenhuma. Muito me incomodam os teus silêncios, e quantos textos eu escrevi sobre isso e você nunca leu. Silêncio para mim é um não. Na verdade é pior que um não. Porque também não é um sim. Deixa aberta ambas possibilidades.

O silêncio é a pior covardia. Você não sabe tudo que eu ouvia quando você simplesmente não dizia nada. E eu dizendo tudo. E a cena se repete agora. Eu vou estendendo minha esperança até onde posso. Mas ela não é elástica. Eu vou precisar de uma borracha quando tudo isso acabar, perceba que eu penso no fim, antes mesmo do começo. Mas o que houve de concreto entre nós? De real?

Palavras apenas. Já que os sentimentos são substantivos abstratos. De verdade mesmo, não houve verbos (ação) nessa nossa relação. E o que poderemos contar do que vivemos? Nada. Será como se não houvesse passado. Porque não serás meu ex-namorado, ou amigo. Não tenho como apresentar-te ao meu futuro. Nunca te entendi.

Quando te reencontrei meu coração estava calmo, batia normal, meu pensamento transitava entre as idéias – te querer pra sempre e deixar de te querer agora. E ele nunca decidiu. E ele ainda não deveria dizer nada disso. E talvez eu não diga. Mas enquanto você não souber da possibilidade que havia de sermos felizes juntos, nunca vou me sentir livre. E todas as vezes que eu saía com algumas pessoas, você deve imaginar alguns nomes e eu acrescentaria mais alguns na sua lista, eu me sentia como que infiel a você.

Até perceber que não havia porque sentir assim já que não tínhamos nada. Não tínhamos, não temos, não teremos. Que grandes covardes fomos nós. A felicidade arrombando nossa porta e a gente fugindo pela janela. Fabrício Carpinejar disse que o outro sempre é covarde quando não fez o que a gente queria.

Sendo assim, você foi minha melhor covardia. Porque fui capaz de admirar sua cautela, sua demora, sua racionalidade. Até certo ponto concordava com você. Eu penso que também devo ter sido covarde pra você. Gostaria de te perguntar tantas coisas, mas já fiz tantas perguntas que nunca foram respondidas. Quero alguém que fale,ainda que seja demais, fale. Que não peque pelo silêncio. Mas acho que você se arrependeu do que disse no início por isso elaborou estes últimos silêncios. Há um quê de arrependimento em tudo que você não diz. E o presente que eu queria te dar, é o mesmo que eu quis receber.



Texto extraído do blog" Não quero falar disso"... Adaptado por mim e pra mim!

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